Maluquices animais
Se você acha estranho o fato de seu cachorro dar voltinhas antes de se deitar, prepare-se para conhecer os comportamentos mais esquisitos do mundo animal. Tem desde pinguins que cruzam a Antártida só pra dar uma bimbadinha até andorinhas que despejam chuvas de cocô sobre cidades no Brasil!
Yuri Vasconcelos - Revista Mundo Estranho – 05/2010
NORTE, VOLVER!
Comportamento estranho - Seja para descansar, seja para dar suas ruminadas pelos pastos, as vacas não vacilam: sempre posicionam seu corpo na direção norte-sul do planeta. O alinhamento bizarro dos animais foi detectado por um grupo de cientistas alemães e checos que analisou fotos de satélites de 8 510 bovinos em 308 pastagens ao redor do mundo. Resultado: entre 60 e 70% dos ruminantes estavam alinhados no eixo norte-sul
Como a ciência explica - De acordo com os mesmos estudiosos, o principal fator para explicar esse comportamento seria o campo magnético da Terra. De alguma forma, ainda não elucidada, bois e vacas captariam o magnetismo terrestre e alinhariam seu corpo em função dele. Agora, qual a função de almoçar sempre virado para o norte ou para o sul, isso ninguém sabe explicar...
AS ANDORINHAS VOLTARAM...
Comportamento estranho - Em setembro, Marília, São José do Rio Preto e outras cidades do interior paulista costumam receber visitantes nada educadas. Enquanto fazem seu balé no céu ou estão pousadas nos galhos das árvores, milhões de andorinhas despejam uma chuva de cocô na cabeça dos passantes, emporcalhando ruas e carros. Para a maioria dos moradores, contudo, o espetáculo das aves no céu vale o incômodo com a titica
Como a ciência explica - Esses municípios paulistas fazem parte da rota migratória das andorinhas, que escapam do frio no hemisfério norte para se aquecer na primavera no Brasil
FUGA PELA DIREITA!
Comportamento estranho - Bilhões de abelhas estão sumindo em todo o planeta. Sem motivo claro, certo dia elas simplesmente abandonam as colmeias e não voltam mais. Ninguém sabe para onde elas vão, pois até hoje não foram achados nem rastros nem insetos mortos nos arredores da colmeia. Só nos EUA, estima-se que 50 bilhões de abelhas já sumiram, esvaziando 40% das colmeias no país!
Como a ciência explica - Elas estão sofrendo de um mal batizado de "desordem do colapso de colônia", de causa desconhecida. A maior suspeita recai sobre um vírus que danificaria o código genético do inseto. Se nada for feito, teremos uma catástrofe agrícola, pois as abelhas respondem pela polinização de até 90% das plantas existentes, que não têm como se reproduzir sem a ajuda do inseto. "Sem abelhas, haverá um colapso na produção de alimentos, que diminuirá rapidamente em 80%", diz o biólogo especialista em abelhas Osmar Malaspina, da Universidade Estadual Paulista (Unesp)
INTELIGÊNCIA COLETIVA
Comportamento estranho - As formigas sempre atraíram a curiosidade humana por sua capacidade de organização e de trabalho em prol da colônia. Mas isso é verdade só em parte. Se você pegar um número pequeno de animais e soltar no quintal, eles irão caminhar desordenadamente e farão pouca coisa útil. Mas, se você colocar no gramado milhares desses insetos, aí, sim, eles irão executar tarefas bem ordenadas, como construir um formigueiro
Como a ciência explica - As formigas possuem o que os biólogos chamam de inteligência coletiva. Sozinhas, elas são meio tontas e ineficientes. Mas, em grupo, é como se o pouquinho de inteligência de cada uma se juntasse com o das outras e, assim, elas conseguissem fazer proezas
MARCHA NUPCIAL
Comportamento estranho - O ritual se repete há milênios. Por volta de abril, quando chega o outono no hemisfério sul, milhares de pinguins-imperadores deixam o litoral da Antártida e rumam em direção às planícies geladas no interior do continente. Na viagem, de cerca de 100 quilômetros, enfrentam predadores e ventos congelantes de até 200 km/h! Tudo para acasalarem e procriarem. Só que o suplício não acaba após o bem-bom. Depois da postura, os machos ficam chocando os ovos sob nevascas inclementes, enquanto as fêmeas fazem o árduo percurso de volta para trazer comida para os rebentos. Quando as mães retornam, os filhotes já nasceram, mas os machos estão famintos. É a vez, então, de eles fazerem uma marcha insana contra o relógio para se alimentar
Como a ciência explica - A epopeia vivida por essas aves é motivada pela necessidade de reprodução e perpetuação da espécie. Guiados pelo instinto e seguindo uma tradição passada de geração em geração, na época da reprodução os pinguins- imperadores sempre retornam para essa mesma área remota, onde estariam mais a salvo de predadores para gerar suas crias
PAVAROTTIS MARINHOS
Comportamento estranho - Como se estivessem treinando para serem tenores de ópera, as baleias-azuis de todo o planeta estão cantando num tom cada vez mais grave. Desde os anos 60, cientistas monitoram por meio de microfones instalados no fundo do mar as vocalizações que elas emitem para se comunicar entre si. Ao fazer um estudo do som nos últimos 50 anos, os estudiosos perceberam que as canções têm sido cada vez mais graves
Como a ciência explica - Nos últimos anos, o barulho no mar não parou de crescer, por causa do aumento do tráfego de navios. A mudança de tom seria uma forma de as baleias conseguirem continuar se comunicando. Outra hipótese é que a elevação da acidez e da temperatura das águas muda a transmissibilidade do som, obrigando as baleias a alterar o seu canto para ser ouvidas
GPS DE RESPONSA
Comportamento estranho - Alguns peixes marinhos fazem longas viagens, de até milhares de quilômetros, a fim de perpetuar a espécie. É o caso dos salmões. A jornada acontece no período reprodutivo do animal e tem como destino o rio onde nasceram e viveram seus primeiros 18 meses de vida - após esse período, eles migram para o mar. É justamente para as águas doces de sua infância que eles retornam a fim de colocar seus ovos
Como a ciência explica - O senso de orientação do salmão viria de fatores como seu sistema neurológico, que teria células com partículas de magnetita, que formariam uma espécie de bússola dentro de sua cabeça. Quando chega ao rio, seu apurado sistema olfativo ajudaria a reconhecer os cheiros do lugar onde nasceu
SEXTO SENTIDO
Comportamento estranho - Dias depois do tsunami que varreu vários países da Oceania e do sul da Ásia no final de 2004, constatou-se um fenômeno esquisito: poucos animais sucumbiram à tragédia, que fez mais de 200 mil vítimas humanas. A constatação reforçou a ideia de que animais conseguem antecipar cataclismos, como tsunamis e terremotos, fugindo do local
Como a ciência explica - Desde a Antiguidade, acredita-se que os animais possuam essa espécie de sexto sentido, mas até hoje não se sabe exatamente o que ocorre. Uma hipótese é que os bichos teriam a capacidade de sentir as vibrações antes que nós e dariam no pé. Outros apontam que eles conseguiriam detectar mudanças no campo elétrico do planeta ou a liberação de gases do interior da Terra
BOLHAS PSICODéLICAS
Comportamento estranho - Nos últimos meses, os golfinhos do parque aquático Sea World, localizado na Flórida, surpreenderam seus instrutores com um novo truque: criar grandes bolhas com o ar expelido do orifício existente em suas cabeças. O motivo? Só por brincadeira. Enquanto as bolhas circulam debaixo d’água, os bichos vão dando trombadinhas com o nariz e, por vezes, também mordem um anel maior para formar um de diâmetro menor
Como a ciência explica - Aqui não tem mistério. Golfinhos são bichos bem inteligentes e capazes de aprender vários truques (como você pode conferir na página 40). Como são bastante brincalhões, não foi nenhuma surpresa que eles tenham descoberto como produzir bolhas de ar para se divertir
Esse espaço foi criado para eu dividir com vcs, leitores, meus devaneios, temas de aula, hobbies, publicações científicas, poesias e temas voltados a Biologia e Evolução.
O Mundo sem nós - Allan Weissman
São muitas as questões levantadas pelo premiado jornalista Alan Weisman nesta investigação científica. Após entrevistar especialistas – zoólogos, biólogos, engenheiros e paleontólogos, – Weisman faz revelações fascinantes e, ao mesmo tempo, perturbadoras sobre o impacto da humanidade no planeta. Nós fomos responsáveis pela extinção de várias espécies, e a natureza sobreviveu. Mas o que aconteceria se, atacados por um vírus, desaparecêssemos? Quais seriam as primeiras criações humanas a sumir? E as últimas? Misturando ciência e especulação, este livro será, certamente, um clássico.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
A COMPLETUDE NÃO EXISTE – Betty Milan
“Lacan ensinou que o amor é o DESEJO impossível de ser um quando há dois. Noutras palavras, é o desejo impossível da completude”
Vira e mexe ouço alguém dizer: “Fulano(a) não me completa”. Como se a completude existisse. Trata-se de um mito originário da Grécia que se perpetua no nosso imaginário. Segundo o mito, nos primórdios, a forma humana era uma esfera com 4 mãos, 4 pernas, 2 cabeças e 2 sexos. Os seres humanos se deslocavam para a frente e para trás e, ao correr, giravam sobre os 8 membros. Seu orgulho e sua força eram tamanhos que, para enfraquecê-los, ZEUS os cortou pela metade. Para os gregos, o corte deu origem ao AMOR, que junta as metades e de 2 seres faz 1.
Num de seus seminários, Lacan retomou esse mito para ensinar que, na verdade, o amor é “o desejo impossível de ser um quando há dois”. Noutras palavras, é o desejo impossível da completude, já que o desejo de um sujeito nunca coincide inteiramente com o do outro. A coincidência que o amante pode celebrar é a da crença na liberdade do amado. Uma crença que se expressa assim: “Faça o que você deseja porque o seu desejo é o meu”. Com ela, a relação se renova continuamente e se perpetua, torna-se impossível.
Isso significa que o egoísmo é incompatível com o amor e este requer uma educação especial. Que o próprio amor, aliás, oferece, porque ele torna os amantes inteligentes. A paixão cega, mas o sentimento amoroso ilumina. O amante não precisa perguntar ao amado o que este quer, pois quem ama sabe a resposta.
A letra de uma das nossas canções populares diz que não anda bem quem anda atrás de amor e paz. Só é assim, no entanto, quando é da paixão que se trata e a relação entre os amantes é de espelhamento; quando um não autoriza o outro a ser ele mesmo, a diferir.
Fala-se muito na aceitação da diferença, porém ela é rara. Implica uma generosidade que não é espontânea e precisa ser conquistada. Para tanto, qualquer via é boa. A da educação laica ou religiosa, de qualquer religião, como bem disse o Dalai-Lama, numa das suas conferências em Paris, insistindo na idéia de que para cada um a melhor religião é aquela na qual foi formado. Porque, em última instância, todas as religiões são contrárias ao egoísmo.
Vira e mexe ouço alguém dizer: “Fulano(a) não me completa”. Como se a completude existisse. Trata-se de um mito originário da Grécia que se perpetua no nosso imaginário. Segundo o mito, nos primórdios, a forma humana era uma esfera com 4 mãos, 4 pernas, 2 cabeças e 2 sexos. Os seres humanos se deslocavam para a frente e para trás e, ao correr, giravam sobre os 8 membros. Seu orgulho e sua força eram tamanhos que, para enfraquecê-los, ZEUS os cortou pela metade. Para os gregos, o corte deu origem ao AMOR, que junta as metades e de 2 seres faz 1.
Num de seus seminários, Lacan retomou esse mito para ensinar que, na verdade, o amor é “o desejo impossível de ser um quando há dois”. Noutras palavras, é o desejo impossível da completude, já que o desejo de um sujeito nunca coincide inteiramente com o do outro. A coincidência que o amante pode celebrar é a da crença na liberdade do amado. Uma crença que se expressa assim: “Faça o que você deseja porque o seu desejo é o meu”. Com ela, a relação se renova continuamente e se perpetua, torna-se impossível.
Isso significa que o egoísmo é incompatível com o amor e este requer uma educação especial. Que o próprio amor, aliás, oferece, porque ele torna os amantes inteligentes. A paixão cega, mas o sentimento amoroso ilumina. O amante não precisa perguntar ao amado o que este quer, pois quem ama sabe a resposta.
A letra de uma das nossas canções populares diz que não anda bem quem anda atrás de amor e paz. Só é assim, no entanto, quando é da paixão que se trata e a relação entre os amantes é de espelhamento; quando um não autoriza o outro a ser ele mesmo, a diferir.
Fala-se muito na aceitação da diferença, porém ela é rara. Implica uma generosidade que não é espontânea e precisa ser conquistada. Para tanto, qualquer via é boa. A da educação laica ou religiosa, de qualquer religião, como bem disse o Dalai-Lama, numa das suas conferências em Paris, insistindo na idéia de que para cada um a melhor religião é aquela na qual foi formado. Porque, em última instância, todas as religiões são contrárias ao egoísmo.
terça-feira, 23 de março de 2010
Criação imperfeita — Cosmo, vida e o código oculto da natureza
O físico Marcelo Gleiser, 51 anos, se acostumou a decifrar a ciência para o público leigo. Programas de TV, coluna em jornal, palestras -- os meios utilizados pelo experiente cientista e professor são inúmeros. O esforço de Gleiser, que decidiu ser físico ouvindo do pai que ninguém “o pagaria para contar estrelas”, tem uma razão nobre: dar às pessoas a chance de construir uma visão mais crítica do mundo. Para ele, a compreensão da ciência liberta o ser humano do medo do desconhecido.
“Não é só a tecnologia que faz do mundo de hoje diferente do mundo de Cabral, em 1.500. O modo como ele pensava que o mundo era é totalmente diferente. A ciência faz parte da nossa cultura. As pessoas precisam absorver isso até como ferramenta para desenvolver um pensamento mais crítico”, afirma o professor de física teórica na Dartmouth College, nos Estados Unidos. Agora, Gleiser pretende ir além e quebrar paradigmas da ciência, mostrando que a natureza não é perfeita.
O assunto do novo livro de Marcelo Gleiser, Criação imperfeita — Cosmo, vida e o código oculto da natureza, publicado pela Editora Record, foi o mote usado pelo autor para mostrar aos estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que não há limites para o conhecimento. Nesta terça-feira, ele falou a calouros e veteranos em um evento organizado pela reitoria para receber os alunos: a Aula da Inquietação. O objetivo do encontro é levar os jovens a refletir sobre o papel deles na universidade.
“Queria mostrar a eles que o conhecimento não é uma coisa finalizada. É um processo e cada um de nós contribui para ele”, comenta o físico. “As visões de mundo que a gente constrói estão sempre em fluxo e a coisa mais importante que se pode aprender na escola ou fora dela é pensar criticamente sobre o que você aprende e sobre o mundo”, sentencia.
A voz da experiência
Gleiser fala de si próprio quando toca nesse assunto. O novo livro é fruto das mudanças de pensamento que ele viveu ao longo de anos de estudo e pesquisa. Ele conta que, quando começou a carreira, acreditava que havia uma ordem unificadora de tudo o que existe no universo – como boa parte do mundo ocidental. Buscava por uma teoria final, que explicasse o sentido e o funcionamento do cosmo. “Hoje mudei completamente minha percepção da realidade”, diz, categórico.
Marcelo Gleiser: natureza cria através de imperfeições e assimetrias
(Foto: Darmouth College/Divulgação)
Para o cientista, a perfeição e a simetria da natureza são fantasias. “Não há nada de concreto que aponte nesse caminho. As pistas vão na direção oposta”, avisa. Gleiser conta que as experiências que desenvolveu mostraram que a natureza cria por meio de suas assimetrias e imperfeições. No novo livro, há um capítulo dedicado exclusivamente a Johannes Kepler, físico que buscava a perfeição da forma dos movimentos celestes. O capítulo, chamado de O erro de Kepler, critica a insistência da perfeição.
“Chega um ponto em que a gente tem de deixar de insistir nessa busca pela ordem, que é mais uma produção de um desejo nosso, e olhar para o que a Terra quer nos dizer”, enfatiza o físico. Ele classifica a própria obra como um manifesto. Um manifesto sobre a importância da vida e do homem para o universo. “Os seres humanos, cada vez mais desacreditados, têm uma vida complexa e inteligente muito rara. Somos como o que o universo pensa sobre si mesmo. Essa consciência cósmica é essencial para preservar o que a gente tem”, diz.
Compreender a complexidade da vida e da natureza, na opinião de Gleiser, é criar uma relação espiritual com o universo. “É uma direção de nova espiritualidade, que nada tem a ver com religião organizada”, afirma.
por Priscila Borges, Brasília.
“Não é só a tecnologia que faz do mundo de hoje diferente do mundo de Cabral, em 1.500. O modo como ele pensava que o mundo era é totalmente diferente. A ciência faz parte da nossa cultura. As pessoas precisam absorver isso até como ferramenta para desenvolver um pensamento mais crítico”, afirma o professor de física teórica na Dartmouth College, nos Estados Unidos. Agora, Gleiser pretende ir além e quebrar paradigmas da ciência, mostrando que a natureza não é perfeita.
O assunto do novo livro de Marcelo Gleiser, Criação imperfeita — Cosmo, vida e o código oculto da natureza, publicado pela Editora Record, foi o mote usado pelo autor para mostrar aos estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que não há limites para o conhecimento. Nesta terça-feira, ele falou a calouros e veteranos em um evento organizado pela reitoria para receber os alunos: a Aula da Inquietação. O objetivo do encontro é levar os jovens a refletir sobre o papel deles na universidade.
“Queria mostrar a eles que o conhecimento não é uma coisa finalizada. É um processo e cada um de nós contribui para ele”, comenta o físico. “As visões de mundo que a gente constrói estão sempre em fluxo e a coisa mais importante que se pode aprender na escola ou fora dela é pensar criticamente sobre o que você aprende e sobre o mundo”, sentencia.
A voz da experiência
Gleiser fala de si próprio quando toca nesse assunto. O novo livro é fruto das mudanças de pensamento que ele viveu ao longo de anos de estudo e pesquisa. Ele conta que, quando começou a carreira, acreditava que havia uma ordem unificadora de tudo o que existe no universo – como boa parte do mundo ocidental. Buscava por uma teoria final, que explicasse o sentido e o funcionamento do cosmo. “Hoje mudei completamente minha percepção da realidade”, diz, categórico.
Marcelo Gleiser: natureza cria através de imperfeições e assimetrias
(Foto: Darmouth College/Divulgação)
Para o cientista, a perfeição e a simetria da natureza são fantasias. “Não há nada de concreto que aponte nesse caminho. As pistas vão na direção oposta”, avisa. Gleiser conta que as experiências que desenvolveu mostraram que a natureza cria por meio de suas assimetrias e imperfeições. No novo livro, há um capítulo dedicado exclusivamente a Johannes Kepler, físico que buscava a perfeição da forma dos movimentos celestes. O capítulo, chamado de O erro de Kepler, critica a insistência da perfeição.
“Chega um ponto em que a gente tem de deixar de insistir nessa busca pela ordem, que é mais uma produção de um desejo nosso, e olhar para o que a Terra quer nos dizer”, enfatiza o físico. Ele classifica a própria obra como um manifesto. Um manifesto sobre a importância da vida e do homem para o universo. “Os seres humanos, cada vez mais desacreditados, têm uma vida complexa e inteligente muito rara. Somos como o que o universo pensa sobre si mesmo. Essa consciência cósmica é essencial para preservar o que a gente tem”, diz.
Compreender a complexidade da vida e da natureza, na opinião de Gleiser, é criar uma relação espiritual com o universo. “É uma direção de nova espiritualidade, que nada tem a ver com religião organizada”, afirma.
por Priscila Borges, Brasília.
segunda-feira, 1 de março de 2010
O homem que viveu com os lobos
26 de fevereiro de 2010
Por Cecília Araújo
Shaun Ellis: despido, ele comeu a mesma comida dos lobos para ser aceito pelos animais (Foto: Divulgação)
O britânico Shaun Ellis tem uma profissão incomum: especialista em comportamento de lobos. Não bastasse a peculiaridade do trabalho, ele ainda conduz pesquisas de forma controversa: optou por viver ao lado dos lobos, como se fosse um deles, por um longo período, a fim de entender melhor como vivem esses animais e também para ajudá-los diante da ameaça da extinção. A partir de 2005, ele passou dois anos em meio a uma alcateia no Parque de Vida Selvagem Combe Martin, no Reino Unido. Seu objetivo era ensinar três filhotes órfãos de lobos canadenses a sobreviver na reserva natural. Para isso, se alimentou e dormiu com os lobos, sem qualquer contato com humanos, até sentir que fazia realmente parte do mundo dos animais. "Acredito que os lobos têm segredos a serem compartilhados. E eles confiaram em mim o suficiente para dividi-los comigo", afirma. A experiência resultou no livro The Man Who Lives With Wolves (O homem que vive com os lobos), escrito em parceria com o jornalista Penny Junor. Na entrevista a seguir, Ellis fala sobre a aventura e defende que o estudo do comportamento dos lobos pode ensinar algo aos homens.
VEJA TAMBÉM
Mogli moderno: O inglês Shaun Ellis vive com os lobos para estudá-los
REVISTAS ABRILMAIS INFORMAÇÕES
Quando surgiu sua paixão pelos animais selvagens?
Ela começou cedo. Cresci no campo, em uma fazenda, onde tinha contato com muitos animais. À medida que fui crescendo, trabalhei com outras espécies selvagens. Comecei estudando raposas: esse foi o início de tudo. Só depois passei a me interessar profundamente pelos lobos. Vivi por anos numa tribo americana, no estado de Idaho (EUA), onde aprendi muito sobre esses animais, e nunca mais parei de estudá-los.
Viver entre os lobos é a melhor forma de estudá-los?
Acredito que existem diferentes formas de se descobrir informações sobre os lobos. Muitas pessoas trabalham com a observação, como os biólogos e os ambientalistas. No meu caso, é importante me juntar aos lobos e viver entre eles. Os pesquisadores trabalham de formas diferentes, de acordo com sua especialidade, mas nós só seremos capazes de ajudar essas criaturas a dividir o nosso mundo e começar uma comunicação com eles se conseguirmos compartilhar o que há de diferente em cada disciplina: a biologia, o estudo comportamental, a ecologia.
Seu trabalho é considerado controverso pelos outros especialistas?
Sim, os biólogos, por exemplo, têm problemas em entender o jeito com que eu trabalho. Para eles, os lobos não deveriam conviver com humanos, nem sequer vê-los. Quando fui viver entre os lobos, me tornei um membro de sua família - outros pesquisadores se manteriam distantes. Porém, se eu não interferisse e não tomasse decisões pela matilha, eles não veriam tudo o que os humanos têm para oferecer a eles. Além disso, como outras criaturas, os lobos não dividem seus segredos facilmente, a não ser com sua própria alcateia. O que fiz foi me tornar parte dessa família e conhecer de perto esses segredos, para tentar ajudá-los.
Há casos de pesquisadores que se propuseram a viver entre animais selvagens e foram mortos por eles. O documentário O Homem Urso, por exemplo, de Werner Herzog, mostra a trágica história de Timothy Treadwell, que, após viver 13 anos com os ursos, foi engolido por um deles, em 2003.
É sempre trágico quando ocorre algo como os acidentes com Treadwell e Steve Irwin (naturalista australiano morto por uma arraia em 2006). Mas, por mais que eles tenham tido esse triste fim, ninguém nunca chegou tão perto dos animais quanto eles chegaram. Quando a pessoa dá sua vida por uma boa causa, temos que honrá-las e, claro, tirar proveito de suas pesquisas. Irwin dizia que só é possível ajudar os animais estando ao lado deles. Eu gosto de seguir sua filosofia. Acho admirável quem sacrifica a vida para tentar ajudar os animais.
Em algum momento o senhor sentiu medo de estar entre lobos?
Nos estágios iniciais, eu tinha um medo natural de ataques nas noites de lua cheia e de todos esses mitos e lendas que fazem com que os lobos pareçam mais perigosos do que eles realmente são. Conhecendo os animais mais profundamente, encontrei algo totalmente diferente do que já tinha sido dito sobre os lobos. Posso até dizer que a maior parte do que é dito sobre eles não é verdadeiro.
O senhor fez uso de equipamentos de segurança para evitar situações perigosas?
Não. Depois de conversar com muitas pessoas, decidi que iria completamente "nu": sem equipamentos de segurança, wi-fi ou comida cozida. Queria que os animais se aproximassem de mim, e não que eles vivessem do meu modo. Foi preciso acreditar nos animais e me infiltrar em uma outra família.
O senhor acha que de fato conseguiu penetrar no mundo dos lobos?
Acredito que os lobos têm segredos a serem compartilhados. E eles confiaram em mim o suficiente para dividi-los. Graças à sua educação, conhecimento e disciplina, eles me deram muitas informações. O meu papel é dividir esse conhecimento com outras gerações e incorporá-los no nosso mundo.
Como foi se alimentar como os lobos?
Demorei um tempo para me acostumar. Se nós homens somos o que comemos, o mesmo acontece com os lobos. Além do lado nutritivo, o que eles comem interfere no cheiro de seus corpos e no reconhecimento dos membros por parte da família. Para mim, foi uma das coisas mais importantes seguir o mesmo cardápio deles, para me manter seguro na matilha. Parece discutível para quem está de fora, mas, quando se está num ambiente muito frio (a temperatura chegava a -20° C), onde achar comida é tão difícil, a carne crua parece apetitosa, pode acreditar. Nosso corpo se prepara aos poucos para os novos hábitos. Nunca estive tão saudável como quando estive com os lobos.
O senhor acredita que sua experiência trouxe aplicações para outros estudiosos?
Espero que outros pesquisadores façam uso das técnicas e do meu aprendizado para seus estudos, não só sobre lobos, mas qualquer outro animal que também precise da nossa ajuda. Mas é importante levar em conta que não somos "masters" em seus mundos. Os lobos aceitaram viver comigo durante certo período de tempo porque me disponibilizei a aprender a estar ali. Os animais, particularmente os lobos, vivem de acordo com valores ultrapassados: confiança, equilíbrio, coisas de que todos nós precisamos. Não podemos levar obstáculos a eles, mas fazer com que os animais nos respeitem. Para isso, é preciso respeitá-los e viver em harmonia com eles.
O senhor se submeteria novamente a uma experiência parecida?
Boa pergunta. Agora que tenho 45 anos, estou em um ritmo mais lento, sou menos capaz de aguentar o frio e o mundo dos lobos. Talvez seja hora de dar aos mais jovens a oportunidade e as informações suficientes para que eles deem continuidade a esse trabalho.
Como pessoas que não têm especial interesse por lobos podem se beneficiar de seu livro?
O lobo pode ser interessante para qualquer pessoa: quem gosta e quem não gosta deles, quem tem cães domésticos ou não. Basta dar crédito ao que podem nos oferecer: eles são nossos professores supremos. Na minha opinião, a maior lição que podemos aprender deles é o valor de suas famílias. Na Inglaterra, temos problemas em socializar nossas crianças. Acredito no poder dos princípios dos lobos para a criação dos nossos jovens. O livro pode fazer com que as pessoas olhem para a vida de uma forma diferente.
Por Cecília Araújo
Shaun Ellis: despido, ele comeu a mesma comida dos lobos para ser aceito pelos animais (Foto: Divulgação)
O britânico Shaun Ellis tem uma profissão incomum: especialista em comportamento de lobos. Não bastasse a peculiaridade do trabalho, ele ainda conduz pesquisas de forma controversa: optou por viver ao lado dos lobos, como se fosse um deles, por um longo período, a fim de entender melhor como vivem esses animais e também para ajudá-los diante da ameaça da extinção. A partir de 2005, ele passou dois anos em meio a uma alcateia no Parque de Vida Selvagem Combe Martin, no Reino Unido. Seu objetivo era ensinar três filhotes órfãos de lobos canadenses a sobreviver na reserva natural. Para isso, se alimentou e dormiu com os lobos, sem qualquer contato com humanos, até sentir que fazia realmente parte do mundo dos animais. "Acredito que os lobos têm segredos a serem compartilhados. E eles confiaram em mim o suficiente para dividi-los comigo", afirma. A experiência resultou no livro The Man Who Lives With Wolves (O homem que vive com os lobos), escrito em parceria com o jornalista Penny Junor. Na entrevista a seguir, Ellis fala sobre a aventura e defende que o estudo do comportamento dos lobos pode ensinar algo aos homens.
VEJA TAMBÉM
Mogli moderno: O inglês Shaun Ellis vive com os lobos para estudá-los
REVISTAS ABRILMAIS INFORMAÇÕES
Quando surgiu sua paixão pelos animais selvagens?
Ela começou cedo. Cresci no campo, em uma fazenda, onde tinha contato com muitos animais. À medida que fui crescendo, trabalhei com outras espécies selvagens. Comecei estudando raposas: esse foi o início de tudo. Só depois passei a me interessar profundamente pelos lobos. Vivi por anos numa tribo americana, no estado de Idaho (EUA), onde aprendi muito sobre esses animais, e nunca mais parei de estudá-los.
Viver entre os lobos é a melhor forma de estudá-los?
Acredito que existem diferentes formas de se descobrir informações sobre os lobos. Muitas pessoas trabalham com a observação, como os biólogos e os ambientalistas. No meu caso, é importante me juntar aos lobos e viver entre eles. Os pesquisadores trabalham de formas diferentes, de acordo com sua especialidade, mas nós só seremos capazes de ajudar essas criaturas a dividir o nosso mundo e começar uma comunicação com eles se conseguirmos compartilhar o que há de diferente em cada disciplina: a biologia, o estudo comportamental, a ecologia.
Seu trabalho é considerado controverso pelos outros especialistas?
Sim, os biólogos, por exemplo, têm problemas em entender o jeito com que eu trabalho. Para eles, os lobos não deveriam conviver com humanos, nem sequer vê-los. Quando fui viver entre os lobos, me tornei um membro de sua família - outros pesquisadores se manteriam distantes. Porém, se eu não interferisse e não tomasse decisões pela matilha, eles não veriam tudo o que os humanos têm para oferecer a eles. Além disso, como outras criaturas, os lobos não dividem seus segredos facilmente, a não ser com sua própria alcateia. O que fiz foi me tornar parte dessa família e conhecer de perto esses segredos, para tentar ajudá-los.
Há casos de pesquisadores que se propuseram a viver entre animais selvagens e foram mortos por eles. O documentário O Homem Urso, por exemplo, de Werner Herzog, mostra a trágica história de Timothy Treadwell, que, após viver 13 anos com os ursos, foi engolido por um deles, em 2003.
É sempre trágico quando ocorre algo como os acidentes com Treadwell e Steve Irwin (naturalista australiano morto por uma arraia em 2006). Mas, por mais que eles tenham tido esse triste fim, ninguém nunca chegou tão perto dos animais quanto eles chegaram. Quando a pessoa dá sua vida por uma boa causa, temos que honrá-las e, claro, tirar proveito de suas pesquisas. Irwin dizia que só é possível ajudar os animais estando ao lado deles. Eu gosto de seguir sua filosofia. Acho admirável quem sacrifica a vida para tentar ajudar os animais.
Em algum momento o senhor sentiu medo de estar entre lobos?
Nos estágios iniciais, eu tinha um medo natural de ataques nas noites de lua cheia e de todos esses mitos e lendas que fazem com que os lobos pareçam mais perigosos do que eles realmente são. Conhecendo os animais mais profundamente, encontrei algo totalmente diferente do que já tinha sido dito sobre os lobos. Posso até dizer que a maior parte do que é dito sobre eles não é verdadeiro.
O senhor fez uso de equipamentos de segurança para evitar situações perigosas?
Não. Depois de conversar com muitas pessoas, decidi que iria completamente "nu": sem equipamentos de segurança, wi-fi ou comida cozida. Queria que os animais se aproximassem de mim, e não que eles vivessem do meu modo. Foi preciso acreditar nos animais e me infiltrar em uma outra família.
O senhor acha que de fato conseguiu penetrar no mundo dos lobos?
Acredito que os lobos têm segredos a serem compartilhados. E eles confiaram em mim o suficiente para dividi-los. Graças à sua educação, conhecimento e disciplina, eles me deram muitas informações. O meu papel é dividir esse conhecimento com outras gerações e incorporá-los no nosso mundo.
Como foi se alimentar como os lobos?
Demorei um tempo para me acostumar. Se nós homens somos o que comemos, o mesmo acontece com os lobos. Além do lado nutritivo, o que eles comem interfere no cheiro de seus corpos e no reconhecimento dos membros por parte da família. Para mim, foi uma das coisas mais importantes seguir o mesmo cardápio deles, para me manter seguro na matilha. Parece discutível para quem está de fora, mas, quando se está num ambiente muito frio (a temperatura chegava a -20° C), onde achar comida é tão difícil, a carne crua parece apetitosa, pode acreditar. Nosso corpo se prepara aos poucos para os novos hábitos. Nunca estive tão saudável como quando estive com os lobos.
O senhor acredita que sua experiência trouxe aplicações para outros estudiosos?
Espero que outros pesquisadores façam uso das técnicas e do meu aprendizado para seus estudos, não só sobre lobos, mas qualquer outro animal que também precise da nossa ajuda. Mas é importante levar em conta que não somos "masters" em seus mundos. Os lobos aceitaram viver comigo durante certo período de tempo porque me disponibilizei a aprender a estar ali. Os animais, particularmente os lobos, vivem de acordo com valores ultrapassados: confiança, equilíbrio, coisas de que todos nós precisamos. Não podemos levar obstáculos a eles, mas fazer com que os animais nos respeitem. Para isso, é preciso respeitá-los e viver em harmonia com eles.
O senhor se submeteria novamente a uma experiência parecida?
Boa pergunta. Agora que tenho 45 anos, estou em um ritmo mais lento, sou menos capaz de aguentar o frio e o mundo dos lobos. Talvez seja hora de dar aos mais jovens a oportunidade e as informações suficientes para que eles deem continuidade a esse trabalho.
Como pessoas que não têm especial interesse por lobos podem se beneficiar de seu livro?
O lobo pode ser interessante para qualquer pessoa: quem gosta e quem não gosta deles, quem tem cães domésticos ou não. Basta dar crédito ao que podem nos oferecer: eles são nossos professores supremos. Na minha opinião, a maior lição que podemos aprender deles é o valor de suas famílias. Na Inglaterra, temos problemas em socializar nossas crianças. Acredito no poder dos princípios dos lobos para a criação dos nossos jovens. O livro pode fazer com que as pessoas olhem para a vida de uma forma diferente.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
A traição aos olhos da PSICOLOGIA
Por que as pessoas traem?
Andrew G. Marshall*
Casos extraconjugais sempre foram arriscados. E é lugar-comum dizer que as tecnologias de hoje, embora tornem mais fácil levar uma relação assim, quase que garantem a descoberta graças a extratos bancários detalhados, notas de compra com horário, mensagens de texto e assim por diante. Pior ainda, não é possível menosprezar a seriedade disso porque as “doces palavras” podem ser rastreadas nos correios de voz e e-mails comuns. Com esse nível de vigilância, é claro que pessoas sensíveis que valorizam seus casamentos jamais transgrediriam. Então por que elas o fazem?
Como terapeuta conjugal, passei anos tentando responder a essa pergunta. Os fatores psicológicos são bem compreendidos. A teoria bastante conhecida da “compartimentalização”, um termo cunhado nos anos 40 por Karen Horney, fundadora do American Journal for Psychoanalysis, pode explicar como os parceiros infiéis justificam seu comportamento. Em certa medida, todos nós construímos muros para separar partes de nossa vida. Quando nos compartimentalizamos, esses mundos se transformam em caixas seladas, onde as ações em um mundo supostamente não têm nenhum impacto em outro. Assim, pessoas que são infiéis dirão: “Isso me ajuda a lidar com o estresse”, negando dessa forma o impacto sobre seus parceiros ou família. Além disso, elas imaginam que o caso não será descoberto. Afinal, está acontecendo num lugar separado.
É claro, as pessoas têm casos por inúmeras razões individuais: história familiar, vício, orientação sexual, desejo de vingança e assim por diante. Os casos podem até mesmo ser um acidente. Mas descobertas recentes de uma nova disciplina chamada de neuroestética – que busca entender nossa apreciação da arte num nível neurológico – assim como uma compreensão mais clara da própria neurociência, está levando a crença científica em direção a algumas coisas que nós sabemos instintivamente sobre o amor.
O senso comum sempre sustentou nossas noções de que o amor romântico era cultural e social, mas uma pesquisa de Semir Zeki, professor de neuroestética na University College London, sugere algo diferente. O trabalho do cérebro é processar o conhecimento que é ou herdado biologicamente ou adquirido através da aprendizagem. Nascemos com conceitos herdados, como uma compreensão das cores, que é quase impossível ignorar ou desobedecer. Mas os adquiridos – como reconhecer um carro a partir de qualquer ângulo – vêm da experiência e, portanto, podem ser continuamente modificados e atualizados. Zeiki acredita que nossos princípios-guias sobre o amor romântico não são adquiridos, mas sim herdados.
Zeki é especializado no estudo anatômico e fisiológico do cérebro visual primata, e mede o fluxo de sangue em certas regiões usando ressonância magnética e tomografia. Mas em seu último livro, “Splendours and Miseries of the Brain” [“Esplendores e Misérias do Cérebro”], ele combinou seu conhecimento científico de como o cérebro funciona com evidências diretas da produção do órgão ao longo do último milênio – incluindo esculturas, pinturas, literatura, música e dança. Ele descobriu que os humanos compartilham mitos universais sobre o amor que variam “pouco, se é que variam, de uma cultura para a outra ou ao longo do tempo”. Como muitos desses mitos não podem ter sido transmitidos culturalmente (digamos, entre a Inglaterra medieval e a China), eles devem ter uma herança biológica comum.
Da mesma forma, o conceito fundamental por trás da emoção do amor – a da “unidade no amor” - também é herdado em vez de aprendido; é esse instinto que nos compele a relações sexuais passionais, porque o sexo é o mais perto que podemos chegar de nos fundir com outro indivíduo. Nós buscamos esta união com tanta força porque ela está biologicamente arraigada em nossos cérebros. Infelizmente, a vida cotidiana do casamento – ganhar a vida, administrar o lar e cuidar da família – está normalmente em desacordo com a ideia do nosso cérebro de “unidade no amor”. A paixão de um caso extraconjugal, por outro lado, liga os amantes proibidos de uma forma que replica o nosso conceito herdado de amor e vai contra qualquer ideia adquirida de que isso é errado.
Isso pode nos ajudar a entender como os casos começam, mas por que, uma vez que começam, é tão difícil terminá-los? Em 2000, um colega de Zeki, Andreas Bartels, escaneou os cérebros de alunos que estavam “verdadeiramente, profundamente e loucamente apaixonados” e mostrou a eles fotos de seus parceiros. Ele então comparou os resultados com pessoas que usaram cocaína ou opiáceos e descobriu que muitas das mesmas regiões do cérebro associadas ao uso de drogas se tornavam ativas, especialmente as responsáveis pela emoção (córtex insular), antecipação de recompensa (córtex cingulado anterior) e memória (núcleo caudado). Os amantes também mostraram três sintomas clássicos do vício: a tolerância, retração e recaída. No começo de um caso, os amantes se encontram ocasionalmente, mas à medida que o vício cresce eles precisam cada vez mais de sua droga (estarem juntos) e reclamam: “Não consigo ter o suficiente de você”. Finalmente, apesar de todas as tentativas de parar antes que a infidelidade seja descoberta, eles recaem como viciados em drogas porque algo – uma música favorita, visitar um lugar de encontro – detona a necessidade de outro “barato”.
Isso me ajuda a entender minha própria pesquisa – respondida por 358 adultos voluntários através do meu site – que revela que o ponto de crise mais comum para uma relação de longo prazo é 24 anos. Parece que observar nossos filhos descobrirem a “unidade no amor” e sua natureza compulsiva reacende nossos próprios desejos e pode fazer com que pareça que falta algo às parcerias de longa data.
Os terapeutas jamais deveriam assumir um lado, mas eu admito que minha objetividade tem sido testada quando pacientes adúlteros alegam: “Não há nada que eu possa fazer”. Pergunto-me como eles puderam ser tão estúpidos. Mas, dado o que sabemos sobre o cérebro, talvez todos nós precisemos ser mais realistas e generosos. Por mais que os políticos prometam incentivos fiscais ou leis para promover o casamento, e por mais que nós desejemos manter nossos votos, alguns de nós inevitavelmente cairão na armadilha da natureza e da química do amor.
*(Andrew G. Marshall é o autor de “How Can I Ever Trust You Again?” [algo como “Como Poderei Voltar a Confiar em Você?”)
Tradução: Eloise De Vylder
Andrew G. Marshall*
Casos extraconjugais sempre foram arriscados. E é lugar-comum dizer que as tecnologias de hoje, embora tornem mais fácil levar uma relação assim, quase que garantem a descoberta graças a extratos bancários detalhados, notas de compra com horário, mensagens de texto e assim por diante. Pior ainda, não é possível menosprezar a seriedade disso porque as “doces palavras” podem ser rastreadas nos correios de voz e e-mails comuns. Com esse nível de vigilância, é claro que pessoas sensíveis que valorizam seus casamentos jamais transgrediriam. Então por que elas o fazem?
Como terapeuta conjugal, passei anos tentando responder a essa pergunta. Os fatores psicológicos são bem compreendidos. A teoria bastante conhecida da “compartimentalização”, um termo cunhado nos anos 40 por Karen Horney, fundadora do American Journal for Psychoanalysis, pode explicar como os parceiros infiéis justificam seu comportamento. Em certa medida, todos nós construímos muros para separar partes de nossa vida. Quando nos compartimentalizamos, esses mundos se transformam em caixas seladas, onde as ações em um mundo supostamente não têm nenhum impacto em outro. Assim, pessoas que são infiéis dirão: “Isso me ajuda a lidar com o estresse”, negando dessa forma o impacto sobre seus parceiros ou família. Além disso, elas imaginam que o caso não será descoberto. Afinal, está acontecendo num lugar separado.
É claro, as pessoas têm casos por inúmeras razões individuais: história familiar, vício, orientação sexual, desejo de vingança e assim por diante. Os casos podem até mesmo ser um acidente. Mas descobertas recentes de uma nova disciplina chamada de neuroestética – que busca entender nossa apreciação da arte num nível neurológico – assim como uma compreensão mais clara da própria neurociência, está levando a crença científica em direção a algumas coisas que nós sabemos instintivamente sobre o amor.
O senso comum sempre sustentou nossas noções de que o amor romântico era cultural e social, mas uma pesquisa de Semir Zeki, professor de neuroestética na University College London, sugere algo diferente. O trabalho do cérebro é processar o conhecimento que é ou herdado biologicamente ou adquirido através da aprendizagem. Nascemos com conceitos herdados, como uma compreensão das cores, que é quase impossível ignorar ou desobedecer. Mas os adquiridos – como reconhecer um carro a partir de qualquer ângulo – vêm da experiência e, portanto, podem ser continuamente modificados e atualizados. Zeiki acredita que nossos princípios-guias sobre o amor romântico não são adquiridos, mas sim herdados.
Zeki é especializado no estudo anatômico e fisiológico do cérebro visual primata, e mede o fluxo de sangue em certas regiões usando ressonância magnética e tomografia. Mas em seu último livro, “Splendours and Miseries of the Brain” [“Esplendores e Misérias do Cérebro”], ele combinou seu conhecimento científico de como o cérebro funciona com evidências diretas da produção do órgão ao longo do último milênio – incluindo esculturas, pinturas, literatura, música e dança. Ele descobriu que os humanos compartilham mitos universais sobre o amor que variam “pouco, se é que variam, de uma cultura para a outra ou ao longo do tempo”. Como muitos desses mitos não podem ter sido transmitidos culturalmente (digamos, entre a Inglaterra medieval e a China), eles devem ter uma herança biológica comum.
Da mesma forma, o conceito fundamental por trás da emoção do amor – a da “unidade no amor” - também é herdado em vez de aprendido; é esse instinto que nos compele a relações sexuais passionais, porque o sexo é o mais perto que podemos chegar de nos fundir com outro indivíduo. Nós buscamos esta união com tanta força porque ela está biologicamente arraigada em nossos cérebros. Infelizmente, a vida cotidiana do casamento – ganhar a vida, administrar o lar e cuidar da família – está normalmente em desacordo com a ideia do nosso cérebro de “unidade no amor”. A paixão de um caso extraconjugal, por outro lado, liga os amantes proibidos de uma forma que replica o nosso conceito herdado de amor e vai contra qualquer ideia adquirida de que isso é errado.
Isso pode nos ajudar a entender como os casos começam, mas por que, uma vez que começam, é tão difícil terminá-los? Em 2000, um colega de Zeki, Andreas Bartels, escaneou os cérebros de alunos que estavam “verdadeiramente, profundamente e loucamente apaixonados” e mostrou a eles fotos de seus parceiros. Ele então comparou os resultados com pessoas que usaram cocaína ou opiáceos e descobriu que muitas das mesmas regiões do cérebro associadas ao uso de drogas se tornavam ativas, especialmente as responsáveis pela emoção (córtex insular), antecipação de recompensa (córtex cingulado anterior) e memória (núcleo caudado). Os amantes também mostraram três sintomas clássicos do vício: a tolerância, retração e recaída. No começo de um caso, os amantes se encontram ocasionalmente, mas à medida que o vício cresce eles precisam cada vez mais de sua droga (estarem juntos) e reclamam: “Não consigo ter o suficiente de você”. Finalmente, apesar de todas as tentativas de parar antes que a infidelidade seja descoberta, eles recaem como viciados em drogas porque algo – uma música favorita, visitar um lugar de encontro – detona a necessidade de outro “barato”.
Isso me ajuda a entender minha própria pesquisa – respondida por 358 adultos voluntários através do meu site – que revela que o ponto de crise mais comum para uma relação de longo prazo é 24 anos. Parece que observar nossos filhos descobrirem a “unidade no amor” e sua natureza compulsiva reacende nossos próprios desejos e pode fazer com que pareça que falta algo às parcerias de longa data.
Os terapeutas jamais deveriam assumir um lado, mas eu admito que minha objetividade tem sido testada quando pacientes adúlteros alegam: “Não há nada que eu possa fazer”. Pergunto-me como eles puderam ser tão estúpidos. Mas, dado o que sabemos sobre o cérebro, talvez todos nós precisemos ser mais realistas e generosos. Por mais que os políticos prometam incentivos fiscais ou leis para promover o casamento, e por mais que nós desejemos manter nossos votos, alguns de nós inevitavelmente cairão na armadilha da natureza e da química do amor.
*(Andrew G. Marshall é o autor de “How Can I Ever Trust You Again?” [algo como “Como Poderei Voltar a Confiar em Você?”)
Tradução: Eloise De Vylder
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
O FUTURO DA HUMANIDADE
Essa semana saiu na Veja (paginas amarelas) uma entrevista com Peter Ward, antropólogo e ele diz que a teoria Gaia é furada... a q ele segue é a Medeia.. da mitologia grega, que mata seus filhos... ele disse que a biosfera não muda.. e estamos todos em constante luta pra nos mantermos vivos aqui, e nessa tentativa o homem já extinguiu varias espécies... no entanto ele acredita q se nós humanos não usarmos nossa inteligência, melhorando a ciência e a tecnologia, também não iremos sobreviver... assim como todas as espécies que se extinguiram... por que?? Porque mesmo que nós conseguíssemos eliminar o aumento do efeito estufa, o sol está aumentando e iria lançar raios pra nós, causando um efeito estufa.. há também os animais marinhos que usam muito CO2 pra fazer conchas, calcários... e chegaria num ponto que as plantas não conseguiriam fazer fotossíntese por falta de CO2... e está fora de cogitação irmos pra outro planeta, por ser hostil... então ele diz que devemos cuidar desse, mas não concorda que devemos voltar a era primitiva... e sim partirmos do agora, já que não dá pra diminuir a população em 1 bilhao... temos que trabalhar com os mais de 6 bilhoes que já temos...
Interessante o pensamento dele... ambientalistas também já defendem a idéia de que só com tecnologia iremos conseguir vencer os problemas... e eu também acredito nessa mudança...
Já vimos que estamos tendo sim que voltar nossos hábitos a uma vida simples e saudável sem perdermos nosso conforto. Estamos tendo que aprender a nos conhecer melhor e ver não apenas nossos limites mas também nossos pensamentos que nos levam ao bem ou ao mal, se traduzindo em doenças da modernidade.
Por que? Porque nossa genética é lenta pra se adaptar a mudanças tão bruscas e descartáveis como assim o é a tecnologia..
Consequentemente, o espírito também muda e melhora... nos deram esse planeta Terra e teremos que aprender mesmo que a duras custas que um planeta não é descartável, assim como um imóvel que construímos e depois o trocamos... aqui não.. aqui é uma lição de vida que se não formarmos uma teia humana de cuidados, eliminaremos não apenas uma conquista, mas também uma espécie.. e se trata da espécie mais bem servida de sistema nervoso, inteligência e criatividade.
Então devemos refletir sobre essa frase: A NATUREZA CONSTRÓI, A NATUREZA DESTRÓI!
Interessante o pensamento dele... ambientalistas também já defendem a idéia de que só com tecnologia iremos conseguir vencer os problemas... e eu também acredito nessa mudança...
Já vimos que estamos tendo sim que voltar nossos hábitos a uma vida simples e saudável sem perdermos nosso conforto. Estamos tendo que aprender a nos conhecer melhor e ver não apenas nossos limites mas também nossos pensamentos que nos levam ao bem ou ao mal, se traduzindo em doenças da modernidade.
Por que? Porque nossa genética é lenta pra se adaptar a mudanças tão bruscas e descartáveis como assim o é a tecnologia..
Consequentemente, o espírito também muda e melhora... nos deram esse planeta Terra e teremos que aprender mesmo que a duras custas que um planeta não é descartável, assim como um imóvel que construímos e depois o trocamos... aqui não.. aqui é uma lição de vida que se não formarmos uma teia humana de cuidados, eliminaremos não apenas uma conquista, mas também uma espécie.. e se trata da espécie mais bem servida de sistema nervoso, inteligência e criatividade.
Então devemos refletir sobre essa frase: A NATUREZA CONSTRÓI, A NATUREZA DESTRÓI!
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Wittgenstein (1940)
As pessoas atualmente pensam que os cientistas existem para instruí-las e os poetas, músicos etc, para lhes dar prazer. A idéia de que estes ultimos tem alguma coisa para ensinar-lhes - isso nao lhes ocorre.
E como disse Goethe: "Aquele que tem ciência e arte tem também religiao; o que nao tem nenhuma delas, que tenha religião!"
E como disse Goethe: "Aquele que tem ciência e arte tem também religiao; o que nao tem nenhuma delas, que tenha religião!"
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
CUIDE DO SEU EU PEQUENINO, adaptado de Isabel Reis
Sempre recebo lindas mensagens de amigos e de alunos que procuram encarar a vida de forma positiva. A maioria eu leio e apago, outras eu repasso e algumas ficam guardadas para que eu possa consultar de tempos em tempos, meditando sobre a vida.
A virada de um ano para o outro, em geral, é um momento de reflexão. Costumamos checar os erros e os acertos, arrumar gavetas, arquivos e colocar a vida em ordem. Aí comecei a refletir sobre minha vida e vi muitos erros e acertos... então cheguei a algumas conclusões que quero partilhar nesse espaço: concluí que não devemos nos sentir culpados caso a balança dos erros pese mais que a dos acertos. Devemos pensar que sempre podemos mudar e equilibrar os dois lados.
Desde que nascemos, vamos cometendo falhas, que nos levam ao aprendizado. Mas o ser humano cresce e tem a tendência de achar que está sempre certo. Nesse momento, o pote cheio nos impede de absorver mais conhecimento.
Nessas idas e vindas em busca de dias melhores, descobri o meu eu pequenino. Cresci rápido demais, comecei a lutar cedo demais, tive responsabilidades cedo demais... A minha menina ficou sozinha lá dentro, abandonada, com medo. Nunca fiz análise mas acho que está chegando meu momento para tal feito e meus livros e crença espiritual me intuiu a me buscar e chegar até minha pequena menina, dar-lhe carinho, alimentar as suas necessidades, aplacar os seus receios. Hoje, a criança e eu somos uma pessoa só. Estamos nos alinhando, pois o meu lado duro dá espaço para a risada fácil, ou me dá a liberdade de pedir colo, ao sentir-me carente.
“A IMAGINAÇÃO É A ARMA DOS PODEROSOS” – Analisando está frase, digo que devemos imaginar, sentir e acreditar. O 1º passo de qualquer conquista é imaginar que ela já aconteceu.
“É IMPOSSÍVEL QUE ALGUÉM QUE SE SENTE DOENTE, ENCONTRE A CURA. QUE AQUELE QUE SE SENTE MISERÁVEL, ENRIQUEÇA. QUE AQUELE QUE SE SENTE SÓ, ENCONTRE O AMOR” - Torne-se aquilo que deseja. Mas, para isso, devemos descobrir o que queremos na realidade. Devemos pensar em nós, ter coragem de encarar os nossos fantasmas. Todos os seres tem medo. Basta estar vivo para ter pavor da morte. Enfrentar o medo só nos torna mais saudáveis.
“O QUE EXISTE NA SUA VIDA É O RESULTADO DO QUE VEM SENTINDO E PENSANDO. TUDO TEM INÍCIO DENTRO DE VOCÊ MESMO” – Devemos nos tratar com mais carinho e paciência. Fazer o exercício de sentir a respiração entrando e saindo do nosso peito. Controlar nossa ansiedade e dar uma chance para o nosso presente.
São tantas as experiências positivas! São inúmeras as possibilidades para sermos felizes. Basta acreditarmos e criar um programa para mudar. Assim como seguimos uma rotina diária para ser um bom profissional sempre em busca de mais desempenho, devemos fazer também nosso programa de vida. Começar pelo mais simples: Começar sendo justo e tendo compaixão.
A virada de um ano para o outro, em geral, é um momento de reflexão. Costumamos checar os erros e os acertos, arrumar gavetas, arquivos e colocar a vida em ordem. Aí comecei a refletir sobre minha vida e vi muitos erros e acertos... então cheguei a algumas conclusões que quero partilhar nesse espaço: concluí que não devemos nos sentir culpados caso a balança dos erros pese mais que a dos acertos. Devemos pensar que sempre podemos mudar e equilibrar os dois lados.
Desde que nascemos, vamos cometendo falhas, que nos levam ao aprendizado. Mas o ser humano cresce e tem a tendência de achar que está sempre certo. Nesse momento, o pote cheio nos impede de absorver mais conhecimento.
Nessas idas e vindas em busca de dias melhores, descobri o meu eu pequenino. Cresci rápido demais, comecei a lutar cedo demais, tive responsabilidades cedo demais... A minha menina ficou sozinha lá dentro, abandonada, com medo. Nunca fiz análise mas acho que está chegando meu momento para tal feito e meus livros e crença espiritual me intuiu a me buscar e chegar até minha pequena menina, dar-lhe carinho, alimentar as suas necessidades, aplacar os seus receios. Hoje, a criança e eu somos uma pessoa só. Estamos nos alinhando, pois o meu lado duro dá espaço para a risada fácil, ou me dá a liberdade de pedir colo, ao sentir-me carente.
“A IMAGINAÇÃO É A ARMA DOS PODEROSOS” – Analisando está frase, digo que devemos imaginar, sentir e acreditar. O 1º passo de qualquer conquista é imaginar que ela já aconteceu.
“É IMPOSSÍVEL QUE ALGUÉM QUE SE SENTE DOENTE, ENCONTRE A CURA. QUE AQUELE QUE SE SENTE MISERÁVEL, ENRIQUEÇA. QUE AQUELE QUE SE SENTE SÓ, ENCONTRE O AMOR” - Torne-se aquilo que deseja. Mas, para isso, devemos descobrir o que queremos na realidade. Devemos pensar em nós, ter coragem de encarar os nossos fantasmas. Todos os seres tem medo. Basta estar vivo para ter pavor da morte. Enfrentar o medo só nos torna mais saudáveis.
“O QUE EXISTE NA SUA VIDA É O RESULTADO DO QUE VEM SENTINDO E PENSANDO. TUDO TEM INÍCIO DENTRO DE VOCÊ MESMO” – Devemos nos tratar com mais carinho e paciência. Fazer o exercício de sentir a respiração entrando e saindo do nosso peito. Controlar nossa ansiedade e dar uma chance para o nosso presente.
São tantas as experiências positivas! São inúmeras as possibilidades para sermos felizes. Basta acreditarmos e criar um programa para mudar. Assim como seguimos uma rotina diária para ser um bom profissional sempre em busca de mais desempenho, devemos fazer também nosso programa de vida. Começar pelo mais simples: Começar sendo justo e tendo compaixão.
domingo, 24 de janeiro de 2010
SER MESTRE (Eudalia Moreira de Sampaio)
Tarefa difícil, mas não impossível,
tarefa que pede sacrifício incrível!
Tarefa que exige abnegação,
tarefa que é feita com o coração!
Nos dias cansados, nas noites de angústia,
nas horas de fardo, de tamanha luta,
chegamos até a questionar:
Será, Deus, que vale a pena ensinar?
Mas bem lá dentro responde uma voz,
a que nos entende e fala por nós,
a voz da nossa alma, a voz do nosso eu:
- Vale sim, coragem!
Você ensinando, aprende também.
Você ensinando, faz bem a alguém,
e vai semeando nos alunos seus,
um pouco de PAZ e um tanto de Deus!
tarefa que pede sacrifício incrível!
Tarefa que exige abnegação,
tarefa que é feita com o coração!
Nos dias cansados, nas noites de angústia,
nas horas de fardo, de tamanha luta,
chegamos até a questionar:
Será, Deus, que vale a pena ensinar?
Mas bem lá dentro responde uma voz,
a que nos entende e fala por nós,
a voz da nossa alma, a voz do nosso eu:
- Vale sim, coragem!
Você ensinando, aprende também.
Você ensinando, faz bem a alguém,
e vai semeando nos alunos seus,
um pouco de PAZ e um tanto de Deus!
A Evolução Humana
Hoje vou falar de um assunto que sempre me intrigou e q é inato em mim... comportamento humano, diferenças entre pessoas... é um assunto bastante polêmico e sério pra deixar publicado num BLOG, pois às vezes sinto que a humanidade nao está preparada para esse assunto, mas o preparo ja passou do tempo, da hora e tem que amadurecer e ser responsabilidade de cada um de nós... e hoje algo me sinaliza q ele é importante e que se faz necessário deixar registrado... toda vez que estudo pra dar aula de evolução, eu aprendo algo mais ou melhor, eu desperto algum conhecimento dentro de mim q parecia já existir e estava adormecido...
Dizem q nossos sonhos nos regem, eu acho que não só isso, mas complemento que somos nossos sonhos vividos e que ainda estão por vir... no fundo, todos nós sabemos do que somos capazes e onde iremos chegar, mas às vezes bloqueamos nossa sintonia com o universo e aí nos bate aquela tristeza e aquele vazio q não sabemos de onde vem. É por isso q devemos estar sempre atentos aos estudos e conhecimento de nossa alma pq a biologia e a religião se completam.
Na teoria evolutiva há registros de que o homem surgiu da África, após uma movimentação das placas tectônicas (grande fenda) e os primatas q continuaram naquele ambiente florestal dotado de árvores, bom clima e alimento não mudaram e vivem lá até hoje da mesma forma. Apenas estão se extinguindo devido à caça humana. Já os primatas q não puderam mais ter contato com esse outro lado, ganharam um ambiente hostil, frio e sem vegetação, o que os fez seguirem os animais e migrarem para locais com meios q os capacitavam a sobreviver. E aí começaram as transformações da espécie primata e surgem os hominídeos.
Uma leva, ao migrar, se instalou na Ásia (oriente) e se modificaram devido ao clima frio da região, tendo então características de cabelos grossos e lisos para escorrer o gelo e com isso, proteger seus cérebros, o nariz ficou mais fino para poderem umedecer melhor o ar frio e seco, a pele ficou clara pq não tinham contato com o sol (pouco aparecia) e assim foram se adaptando e seus genes foram sendo selecionados de acordo com esse ambiente.
Os povos q ficaram na região quente africana, pouco aprenderam, pois o clima para eles mudou muito pouco, já que continuavam num ambiente confortável.... então se compararmos esses dois povos, iremos ver que o povo mais evoluído é aquele que precisou aprender mais devido ao tipo de vida q levaram... então aqui abro um parênteses para firmar meu pensamento de que quanto mais estimulados somos, melhores ficamos e de que qto mais uma pessoa sofre melhor ela fica na vida, de uma forma geral.
Dê tudo a um filho e ele não caminhará sozinho, se um dia precisar... não saberá tomar decisões e lutar...
Continuando com minha linha de pensamento, me deparei com uma leitura de um economista escocês, chamado Gregory Clark que defendeu em sua tese e fez disso um livro, de que o sucesso ou o fracasso econômico de um povo está associado às características individuais do cidadão de cada nação. Não adianta para ele um país ter um sistema econômico e leis propício ao desenvolvimento se o povo que nele habita não tiverem as condições básicas (DNA) para ascender nesse mercado, que são elas: a PACIENCIA, a DISPOSIÇÃO PARA O TRABALHO DURO, a INVENTIVIDADE, a HABILIDADE COM NÚMEROS, a FACILIDADE DE APRENDIZADO e a AVERSÃO À VIOLÊNCIA.
É exatamente o que sempre pensei sobre a evolução humana, mas me considerava uma LOUCA de verdade, pois já tentei inserir esse papo no centro q frequento, mas exceto o espírito, os humanos q estavam ali não conseguiam aceitar minha teoria... e aí meu caboclo me disse: guarde seus pensamentos com vc por enqto nessa vida, pois eles são muito avançados pra esse povo aqui... isso me frustrou e fiquei muito triste... e nunca mais me esqueci disso... e parece q hoje despertei pra isso e estou aqui colocando na escrita o que sempre quis escrever, mas nunca tinha tido vontade verdadeira, pois me perdia... ou seja, qdo estamos de bem com a vida, ela nos move a algo diferente...
E para completar meus pensamentos, eu sempre terminava as aulas falando do Brasil e dizia aos meus alunos: a vida é cíclica, uma roda viva... os países que já tiveram sua economia bombando, perderam toda a sua natureza, pq não pensaram q o ambiente natural um dia iria fazer falta pra continuidade da espécie humana... se vcs analisarem num mapa, o país que foi habitado por último foi o Brasil, pois as Américas só tiveram a presença humana após o estreito de Bering se congelar e os animais poderem passar com ele acompanhados dos nômades humanos, porém não podemos nos esquecer que as pangéia permitiu q os animais e natureza já existissem ali, posto que um dia tivemos apenas um único continente e que com a movimentação das placas tectônicas, hoje temos 5 continentes... Então se formos pensar em termos evolutivos, os índios q aqui passaram a viver depois dessa vinda dos nômades, encontraram um ambiente benéfico a seu sustento cômodo, consequentemente não precisaram mudar e por isso os índios nos ensinam a maneira correta de lidar com a natureza, assim como os animais nos ensinam e, na visão científica, não são considerados seres tão evoluídos quando comparados aos humanos, pois sua genética não sofreu grandes seleções naturais... ele ficou mais parecido geneticamente com os animais do que com o homem moderno... poxa, aqui daria mais um capítulo de discussões!!!! Que loucura boa. Isso merece um café.
Hoje o Brasil está nas páginas do país promissor que não tem crise... ora, mais uma prova viva de que a evolução é cíclica realmente, pois a América do Norte começa seu declínio e o próximo povo depois dela, somos nós... caraca... como devemos realmente ter paciência na vida, pois tudo é a seu tempo... sim, somos a próxima potencia, iremos colher economicamente muitos frutos, iremos crescer muito, mas ... se não tivermos inteligência, DNA diferenciado, iremos fazer como os outros países que só pensaram na economia e se esqueceram da maior fortuna que tinham: A NATUREZA... então, o que será do Brasil??? Minha teoria é de que faremos como os outros povos, iremos perder a Amazônia sim... irá se tornar um grande deserto, assim como todos os outros desertos q temos e que um dia foram floresta... mas será que perderemos tudo?? Que nos extinguiremos???NAO... de forma alguma... o homem criativo é o que persiste na evolução, irão morrer em massa os homens da linha de conforto... que não conseguem ter as características promissoras... esses morrerão para deixar na história a espécie cHomo sapiens contemporâneos e irão dar espaço ao novo homem, que é o Homo intuitivus economicus
Por hora o que fica de moral dessa história? : que a vida é muito simples... se colocarmos o aprendizado evolutivo em nossa vida diária, iremos ver que se lutarmos com garra e enfrentarmos nossos problemas diários q surgem, iremos nos dar muito bem em breve... mas devemos ter muita PACIENCIA E PERSISTENCIA pq somos o que queremos ser.
LAURA DOMINCIANO
Dizem q nossos sonhos nos regem, eu acho que não só isso, mas complemento que somos nossos sonhos vividos e que ainda estão por vir... no fundo, todos nós sabemos do que somos capazes e onde iremos chegar, mas às vezes bloqueamos nossa sintonia com o universo e aí nos bate aquela tristeza e aquele vazio q não sabemos de onde vem. É por isso q devemos estar sempre atentos aos estudos e conhecimento de nossa alma pq a biologia e a religião se completam.
Na teoria evolutiva há registros de que o homem surgiu da África, após uma movimentação das placas tectônicas (grande fenda) e os primatas q continuaram naquele ambiente florestal dotado de árvores, bom clima e alimento não mudaram e vivem lá até hoje da mesma forma. Apenas estão se extinguindo devido à caça humana. Já os primatas q não puderam mais ter contato com esse outro lado, ganharam um ambiente hostil, frio e sem vegetação, o que os fez seguirem os animais e migrarem para locais com meios q os capacitavam a sobreviver. E aí começaram as transformações da espécie primata e surgem os hominídeos.
Uma leva, ao migrar, se instalou na Ásia (oriente) e se modificaram devido ao clima frio da região, tendo então características de cabelos grossos e lisos para escorrer o gelo e com isso, proteger seus cérebros, o nariz ficou mais fino para poderem umedecer melhor o ar frio e seco, a pele ficou clara pq não tinham contato com o sol (pouco aparecia) e assim foram se adaptando e seus genes foram sendo selecionados de acordo com esse ambiente.
Os povos q ficaram na região quente africana, pouco aprenderam, pois o clima para eles mudou muito pouco, já que continuavam num ambiente confortável.... então se compararmos esses dois povos, iremos ver que o povo mais evoluído é aquele que precisou aprender mais devido ao tipo de vida q levaram... então aqui abro um parênteses para firmar meu pensamento de que quanto mais estimulados somos, melhores ficamos e de que qto mais uma pessoa sofre melhor ela fica na vida, de uma forma geral.
Dê tudo a um filho e ele não caminhará sozinho, se um dia precisar... não saberá tomar decisões e lutar...
Continuando com minha linha de pensamento, me deparei com uma leitura de um economista escocês, chamado Gregory Clark que defendeu em sua tese e fez disso um livro, de que o sucesso ou o fracasso econômico de um povo está associado às características individuais do cidadão de cada nação. Não adianta para ele um país ter um sistema econômico e leis propício ao desenvolvimento se o povo que nele habita não tiverem as condições básicas (DNA) para ascender nesse mercado, que são elas: a PACIENCIA, a DISPOSIÇÃO PARA O TRABALHO DURO, a INVENTIVIDADE, a HABILIDADE COM NÚMEROS, a FACILIDADE DE APRENDIZADO e a AVERSÃO À VIOLÊNCIA.
É exatamente o que sempre pensei sobre a evolução humana, mas me considerava uma LOUCA de verdade, pois já tentei inserir esse papo no centro q frequento, mas exceto o espírito, os humanos q estavam ali não conseguiam aceitar minha teoria... e aí meu caboclo me disse: guarde seus pensamentos com vc por enqto nessa vida, pois eles são muito avançados pra esse povo aqui... isso me frustrou e fiquei muito triste... e nunca mais me esqueci disso... e parece q hoje despertei pra isso e estou aqui colocando na escrita o que sempre quis escrever, mas nunca tinha tido vontade verdadeira, pois me perdia... ou seja, qdo estamos de bem com a vida, ela nos move a algo diferente...
E para completar meus pensamentos, eu sempre terminava as aulas falando do Brasil e dizia aos meus alunos: a vida é cíclica, uma roda viva... os países que já tiveram sua economia bombando, perderam toda a sua natureza, pq não pensaram q o ambiente natural um dia iria fazer falta pra continuidade da espécie humana... se vcs analisarem num mapa, o país que foi habitado por último foi o Brasil, pois as Américas só tiveram a presença humana após o estreito de Bering se congelar e os animais poderem passar com ele acompanhados dos nômades humanos, porém não podemos nos esquecer que as pangéia permitiu q os animais e natureza já existissem ali, posto que um dia tivemos apenas um único continente e que com a movimentação das placas tectônicas, hoje temos 5 continentes... Então se formos pensar em termos evolutivos, os índios q aqui passaram a viver depois dessa vinda dos nômades, encontraram um ambiente benéfico a seu sustento cômodo, consequentemente não precisaram mudar e por isso os índios nos ensinam a maneira correta de lidar com a natureza, assim como os animais nos ensinam e, na visão científica, não são considerados seres tão evoluídos quando comparados aos humanos, pois sua genética não sofreu grandes seleções naturais... ele ficou mais parecido geneticamente com os animais do que com o homem moderno... poxa, aqui daria mais um capítulo de discussões!!!! Que loucura boa. Isso merece um café.
Hoje o Brasil está nas páginas do país promissor que não tem crise... ora, mais uma prova viva de que a evolução é cíclica realmente, pois a América do Norte começa seu declínio e o próximo povo depois dela, somos nós... caraca... como devemos realmente ter paciência na vida, pois tudo é a seu tempo... sim, somos a próxima potencia, iremos colher economicamente muitos frutos, iremos crescer muito, mas ... se não tivermos inteligência, DNA diferenciado, iremos fazer como os outros países que só pensaram na economia e se esqueceram da maior fortuna que tinham: A NATUREZA... então, o que será do Brasil??? Minha teoria é de que faremos como os outros povos, iremos perder a Amazônia sim... irá se tornar um grande deserto, assim como todos os outros desertos q temos e que um dia foram floresta... mas será que perderemos tudo?? Que nos extinguiremos???NAO... de forma alguma... o homem criativo é o que persiste na evolução, irão morrer em massa os homens da linha de conforto... que não conseguem ter as características promissoras... esses morrerão para deixar na história a espécie cHomo sapiens contemporâneos e irão dar espaço ao novo homem, que é o Homo intuitivus economicus
Por hora o que fica de moral dessa história? : que a vida é muito simples... se colocarmos o aprendizado evolutivo em nossa vida diária, iremos ver que se lutarmos com garra e enfrentarmos nossos problemas diários q surgem, iremos nos dar muito bem em breve... mas devemos ter muita PACIENCIA E PERSISTENCIA pq somos o que queremos ser.
LAURA DOMINCIANO
Assinar:
Comentários (Atom)